Os grandes festivais musicais sempre foram o trampolim para que novos artistas pudessem alçar vôos, e, assim, tornar-se conhecidos do grande público. Podemos citar vários festivais que rondam nossa memória, dentre eles: os festivais da Record (Mutantes, Caetano, Gil), os atuais, Abril Pro Rock (Raimundos), Bananada, Porão do Rock, dentro outros tantos. O Rio Grande do Sul, por infelicidade do destino, não possui, ainda, um grande festival de música independente, (tendência mundial das grandes metrópoles intelectualmente avançadas), no entanto houve, por um breve período, na história de Caxias do Sul, o que poderia ter vindo a se tornado verdadeira lenda e referência nacional, um festiva referência de nome Canta Park.
Na história dos Canta Parks sucesso de público e crítica não faltaram. Por várias e inúmeras vezes os Pavilhões da Festa Nacional da Uva se encontraram lotados, abalroados de adolescentes a procura de diversão, conscientização, liberdade de expressão, e vontade de amar. Vontades estas que poderíamos chamar de verdadeiros direitos do ser humano. No entanto, com o tempo, perdidos entre a burocracia dos gabinetes.
Muito embora sejam referência mundial, os festivais de musica independente, em sua grande maioria regidos pelo rock, não alçaram vôo suficiente em nossa região para que pudessem conscientizar os intelectuais de plantão de sua real importância.
A produção artística e cultura é a alavanca inicial de uma sociedade livre e digna. A cultura não pode, e não deve, ser deixada de lado, tão pouco se pode diminuir a importância de eventos que propiciam o encontro de mais de dez mil jovens.
O festival em si pode ser visto como uma espécie de árvore. Dela, provavelmente, em estado natural, teremos apenas o crescimento de uma possível outra árvore, no entanto seus frutos e folhas alimentarão e adubarão um verdadeiro ecossistema vivo e produtivo. É exatamente assim que devemos ver os festivais, como fomentadores de cultura. Dele, talvez, surja uma grande banda ou artista, no entanto ele alimentara uma cena produtiva e viva que irá gerar frutos menores, mas de grande importância para o arejamento e a produção musical nacional.
Infelizmente, dada a orientação da Secretaria de Cultura de Caxias do Sul, tratando o Rock e suas vertentes como estilos que não merecem um olhar carinhoso e atento, só nos cabe lamentar. Lamentar pelo desconhecimento de causa, desconhecimento histórico, e verdadeiro descaso com parte da classe artística Caxiense que deveria estar sob o abrigo e proteção da mesma.
Desconhecimento histórico ao esquecer-se de que sobre rifs de guitarra e batidas de bateria, cantava-se como verdadeiro hino das diretas já, neste mesmo país que hoje habitamos, "Inútil" da banda Ultraje a Rigor (de rock!!!), com o apoio do ilustre e saudoso Ulisses Guimarães. Desconhecimento histórico de que as maiores revoluções sociais, culturais e sexuais, que vieram a modificar e formatar a atual sociedade moderna saíram de um mega festival chamado Woodstok, de onde os dizeres de amor, contra a guerra e contra a violência ecoam até hoje nos corações da humanidade.
Mas voltemos ao nosso festival, até então local, Canta Park. Travou-se, e continua se travando em Caxias do Sul, uma eterna batalha por espaços artísticos. Não é de hoje que a prefeitura, infelizmente, vem os fechado, e que a Secretaria de Cultura tem se mostrado apenas como um órgão meramente burocrático e nada participativo.
O Canta Park foi o grande incentivador da produção musical, juntando, muita vezes, o erudito com rock moderno, a MPB com o Punk Rock, a diversão com o espaço! Atitudes assim, como vimos, podem virar referência nacional! E trazer os holofotes para iluminar Caxias do Sul. O rock não é maldito! É um senhor de 65 anos que ainda pede passagem, muito embora já tenha provado seu valor.
É necessário que a secretaria de cultura deixe a birra de lado, e passe a fazer a sua parte, correspondendo com as expectativa da classe artística caxiense, pois, em última análise, é justamente para ela que deve trabalhar. Fechar teatros, não é a solução, criar espaços é o caminho, pois se vieram para manter o que é bom e mudar o que está errado, parece que estão agindo exatamente ao contrário, acabando com o que era ótimo, e continuando com a política que, infelizmente, não servia.
O medo que me atinge, e acredito que a todos os músicos e compositores que habitam Caxias do Sul, é que a estrada que foi criada com sangue, suor e vontade se feche cada vez mais. Por isso é necessário que a prefeitura de Caxias do Sul, através da Secretaria de Cultura assuma a sua função, lute por verbas, por espaço, e por vontade de trabalhar, deixe de ser um órgão meramente burocrático e passe a ser efetivamente atuante no sentido de reativar o Canta Park, ou o nome que queira dar, e, assim, criae o espaço necessário para que o artista caxiense atinja o seu público, para que a cena musical fomente, e para que Caxias se torne referência nacional na borbulhante cena musical independente que tem revelado grandes nomes ao cenário brasileiro e internacional
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
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Um comentário:
Primeiro comentário!!!
Pois é... a gurizada mais nova não deve se lembrar, mas como era bom o canta park... saudades daquela época em que rolava os shows! Vi a ligante pela primeira vez em um canta park...
E mesmo Caxias sendo a Capital nacional da cultura... o espaço infelismente para o Rock, vai continuar pequeno, isso senão diminuir! Com certeza precisamos de Festivais para a galera de caxias e região mostrar a cara e o som!
Abraço ae Marcelo!
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